Escolhas...
Essa semana ocorrerá um encontro aqui em casa que não acontecia há muitos anos.
Como alguns devem saber, minha avó por parte de mãe está morando conosco. Ela morava em Uberlância - MG. Mas sofreu um derrame que atacou-lhe o cérebro de tal maneira que hoje ela sofre uma série de limitações. Quase não fala, quase não anda, tem dificuldades para organizar os pensamentos e outras coisas. Minha avozinha está morando conosco há quase 3 anos. Há a necessidade de dar banho nela, levá-la ao banheiro, alimentá-la e muitas outras coisas. È na verdade um grande bebezão de 72 anos de idade.
A Dona Martha sempre foi uma pessoa batalhadora, forte e muito alegre mesmo. Cozinhava que era uma beleza! Todos adoravam beliscar seus salgados (sua maior especialidade). Mas hoje, a vovó vive em eterno período de tristeza nas suas limitações.
Mas, quanto ao encontro, uma pessoa vinda lá do interior do Estado de Goiás já está aqui em terras paulistas para ver os filhos daqui, fazendo assim uma visitinha a nós. Meu avô, pai na minha mãe.
Minha avô e meu avô tiveram uma louca história de amor ha muitas décadas atrás. A família da minha avô não concordava muito com o possível casamento dos dois e sendo assim eles fugiram na noite de Natal. Que romântico, não? Pelo menos para aquela época isso era!!! Não tardou muito para a família reconhecer com gosto a união dos dois, afinal, meu avô provara que amava muito minha avó. E ela a ele. E esse amor gerou 5 filhos!! Um deles minha mamãe!
Mas muitas coisas vão acontecendo na vida. Fazemos escolhas equivocadas, e algumas vezes não tem como voltar atrás. E nas vezes que temos como voltar atrás, nosso orgulho não permite que nos curvemos pedindo perdão, ou desculpando, ou aceitando nossos erros. Muitas vezes impedimos a nós mesmos a nova chance, por julgarmos que não daria certo novamente, por termos preguiça de nos esforçarmos para superar as dificuldades criadas. O caminho mais fácil que encontramos mesmo é um só: DESISTIR. E como consolação, colocamos na nossa cabeça frases como: "Tudo bem... Não era para ser..."
Será que não era para ser??? Ou era e não nos esforçamos o suficiente para fazer acontecer apesar das dificuldades? Como a literatura cansa de dizer: "Quem disse que viver seria fácil???".
Pois é... a busca pela felicidade aqui na Terra leva seres como nós a cometer escolhas equivocadas por meros vacilos, imaturidades, tendências passadas ou ignorância.
Minha avó e meu avô se separaram há muitos anos... No meio dos anos 60. O tempo passou, e meu avô arranjou outra mulher (a atual) com quem teve mais 3 filhos. Minha avó também arranjou outro homem, com quem viveu até pouco tempo atrás, antes do derrame. Quase 40 anos de história... quase 40 anos de vida se passaram desde a separação dos dois.
E essa semana ocorrerá um novo reencontro.
O último que esses dois tiveram aconteceu há 5 anos atrás, quando meu tio (filho deles) morreu. Eles se encontraram no velório e no enterro do filho, em Goiás. Praticamente toda a família estava presente, a exceção de alguns netos (como eu por exemplo). Desde então, não tiveram mais contato. E assim chega a atual semana, onde ele está de volta a São Paulo.
É engraçado saber que o coração da minha avó bate forte e acelerado de ansiedade em rever meu avô. Leia-se aqui "o grande amor da vida dela". E é interessante saber que meu avô sente o mesmo por ela: "o grande amor da vida dele". Ele até fica com a boca seca só de pensar que irá reencontrá-la (disso fiquei sabendo a pouco). E hoje ele está aqui para rever os filhos, enquanto sua atual esposa está lá em Goiás. Mas no fundo, quem ele quer ver mesmo é a minha avó.
Ele tem lá seus 74 anos... Deve pensar que, pela distância onde mora, talvez possa ser a última vez que vê a minha querida avozinha.
A história deles é muito mais que encontros e desencontros. Eu teria que escrever muitas coisas mais... Mas o principal é saber que, como pode acontecer isso?? Duas pessoas que amam... e amaram... um ao outro... por décadas e décadas... não se darem a chance de viver um com o outro uma vida, por causa de orgulhos, escolhas equivocadas, perdão que não vem, e outros fatores que, se comparados ao amor, são tão pequenos que chega a ser absurdo os dois não terem ficado juntos todo esse tempo.
Sei da história: "O amor esfriou"... "Não gosto tanto quanto antes..." "Não amo mais..." "O que ele(a) me fez não tem perdão"... "Ele(a) não merece uma nova chance minha"... "Gosto de outro(a)"... "Não podemos ficar juntos"... "Ele me decepcionou demais, brincou muito comigo..." Essas foram algumas das frases repetidas por meu avô e minha avó durante anos e anos, para seus filhos e em seguida para seus netos, sempre ao contar a história. Entretanto, eles se amam... E como eles já reconheceram: "às vezes ficamos cegos"!
Minha mãe está um tanto preocupada. Com a emoção que esse encontro pode causar nos dois, já velhos e doentes...
Nós escolhemos os caminhos das nossas vidas. E as vezes nos equivocamos. Mas, em Deus, sempre há como nos redirecionarmos e nos recolocarmos em caminhos certos. Mas tudo depende de nós. De nossas novas escolhas. Tudo está entre o "desistir" e o "insistir". Muitas vezes pensamos que insistir é continuarmos em erro. Entretanto, pela insistência de muitos, hoje temos eletricidade, telefone, satélites e muitas outras coisas que a princípio, pelo excesso de tentativas com insucessos, parecia não valer a pena. Que dirá sobre os assuntos que envolvem pensamentos e sobretudo, SENTIMENTOS.
Hoje busco os caminhos certos. As novas escolhas. As boas escolhas. E vendo histórias como a dos meus avós, e tantas outras que pude ter contato nos últimos meses, percebo o quanto todos nós somos imaturos e orgulhosos, e como escolhemos mal, e como temos medo de admitirmos que escolhemos mal para então tentar consertar um erro. E como muitas vezes desistimos fácil das dificuldades que nós mesmos escolhemos para vencer e crescer. E assim, a felicidade que buscamos na Terra vai ficando cada vez mais distante, pois nós a buscamos nos caminhos que achamos convenientes, sendo que muitas vezes essa "felicidade aparente" (pois a felicidade verdadeira não é deste mundo, como já disse Jesus) está tão próxima de nós, e basta nossa humildade, coragem e vontade para a enxergarmos e estarmos com ela junto a nós, e assim ter o espírito aliviado com o refrigério que a paz proporciona.
E acreditando em reencarnação, creio sim que meu avô e minha avó talvez possam ter nova chance em uma próxima vida. Mas, puxa... Eles realmente desperdiçaram uma grande chance nesta! Isso parece ter pouca importância? Mas não tem... Isso é muito importante sim. E tomemos todos nós isso como lição de vida enquanto estamos ainda neste mundo: são nossas escolhas que nos conduzem. Existem aquelas escolhas que nos levam a bons ou maus caminhos... e as escolhas que são dos outros, e que acabam por interferir em nossas vidas de tal forma, que nos levam também a escolher. E neste momento invoco meu Senhor e peço ajuda para que me permita chances e oportunidades para crescer e ser feliz, e peço perdão pelas chances e oportunidades que desperdicei, por causa das minhas escolhas.
Escrito
por
Tchongo
às
14h38
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